Força interna, dosagem adequada.

Força é aquilo que faz mover; impulso, poder, domínio, esforço, firmeza, energia. Existem as forças de inércia, gravitacional, centrífuga e centrípeta, de atrito, elétrica, magnética e nuclear, citando algumas. Nas artes marciais o princípio quádruplo do treinamento da força, ensina: ‘Diferenciar o real do aparente, regular a respiração, usar a mente e não a força bruta, permanecer calmo e relaxado durante a ação’. “A ênfase está no poder da mente e no fluxo intrínseco de energia.” (Wong Kiew Kit) Quando estamos dando passos no caminho do autodesenvolvimento, percebendo e ajustando as coordenadas de nossas posturas, diálogos e movimentos, ter em conta o princípio quádruplo do treinamento da força pode evitar, neutralizar ou alterar positivamente muitas situações e circunstâncias. Na maior parte das vezes, se desatentos, é provável que tenhamos feito exatamente o oposto: supor, presumir, deixar crescer o irreal, ficar ofegante, ter pouco oxigênio, mostrar força física, alterar o tom de voz, ser invasivo e demasiado duro, ter nervosismo e tensão enquanto age. Isso acontece e deixa de acontecer em frações de tempo. Algumas dessas frações são longas o suficiente para comprometer nosso corpo, ambiente e relações. Lembrarmos do princípio quádruplo, memorizá-lo e torná-lo disponível é uma conquista com efeito balsâmico. Das antigas artes marciais aprendemos também a fórmula dos cinco caracteres: ‘Mente tranqüila, corpo ágil, energia plena, força total e consciência presente.’

Semelhante ao princípio quádruplo do treinamento da força, se pudermos registrar a fórmula dos cinco caracteres e deixá-la ao alcance do pensamento teremos boas chances de discernir com mais lucidez entre o que deve e o que não deve ser feito, alcançado, almejado, dito ou não dito, e também com que ritmo, velocidade e grau desejamos nos comprometer com pessoas, processos e projetos. A dosagem adequada, no âmbito das considerações sobre a força interior, é uma medida interna – ‘pessoal, parcial, provisória e perspectiva’. A dosagem é calibrada para nosso próprio bem, assim que identificamos nosso centro de equilíbrio. Vale para um novo ciclo ou meta, vale para terapias corporais, para práticas meditativas, para relações e relacionamentos, para atividades de trabalho e para o que mais elegermos. Uma medida justa, tanto para a dosagem adequada quanto para a força interna, envolve conhecer e balancear nossa capacidade físico-orgânica, nossa manifestação energética e nossa estrutura psicológica. Mas, e se errarmos na dose? Se precisarmos descansar por um ou mais dias? Se tropeçarmos ou cairmos enquanto seguimos nossas metas? Bem, vale saber que o excesso de emoção e de importância são formas de vaidade que precisam ser observadas com calma e com paz. ‘Estejamos preparados: a excitação e o autoelogio (ou seus respectivos inversos) podem nos derrubar imediatamente’. Se acontecer, perceba com leveza; considere que estamos todos em treinamento. Se puder, se fizer sentido, se abstenha da via em que se condena e se pune, porque ela consome sua energia; com menos energia o cenário é confuso e a confusão habilita ciclos de compulsão, frustração e engano. Se puder, se fizer sentido, escolha a via que te eleva, encontre o ponto onde houve a bifurcação e retorne para a trilha que você elegeu – esse é o ciclo do amadurecimento. ‘Com prática e dedicação desenvolvemos a arte de compreender a força; a partir da compreensão da força desenvolvemos habilidades maravilhosas.’ (Wong Kiew Kit)

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