Vulnerabilidade e culpa

Mergulhada nos estudos enquanto criava o conteúdo do PRISMA, o curso de inteligência emocional sob a lente dos livros da Brené Brown, ao revisitar os trechos dos livros que mais me tocaram, voltei a fase da minha vida em que comecei a estudar vulnerabilidade, culpa, coragem, confiança.

Lembrei que entender melhor sobre o que era mesmo estar vulnerável e não ter medo e nem vergonha das minhas fraquezas me deu forças para não desmerecer meus esforços e ações diante da vida mesmo que os resultados estivessem, na época, muito longe do que um dia sonhei.

Precisei reconhecer a minha imperfeição, minha vergonha diante dos meus desejos, dos meus sonhos. Tinha vergonha de sonhar (muito estranho porque um ser humano deixa de sonhar?). Tinha vergonha de ser boa, ficava pensando no que os outros iam falar. Tinha vergonha de não saber tudo, de não ser sempre generosa, de ficar brava com meus filhos. Tinha vergonha de não estar no peso ideal, tinha vergonha de não ter um salário de muitos mil reais. Tinha vergonha de cuidar de mim. Cuidar de mim era quase que um atestado de que não estava trabalhando o suficiente.

Estava conseguindo viver? Sim, se viver for sinônimo de acordar, dar conta do dia e dormir. Mas, confesso que achava tudo que estava acontecendo estranho demais. Tinha vergonha até de pensar sobre isso e grudadinha na minha vergonha estava à culpa.

Culpa de e por tudo. Culpa de não ser sempre atenciosa, culpa por querer ficar um pouco sozinha, culpa por amar cuidar muito dos meus filhos, culpa por me preocupar, culpa por deixar ir, culpa por comer, culpa por não comer, culpa por fechar um negócio, culpa pelo negócio dar errado, culpa por ser muito prática e objetiva, culpa por precisar de um tempo, culpa por ter casado, culpa por ter me separado, culpa por trabalhar demais, culpa por desejar mais tempo no dia, culpa por tanto mais.

Chega suspirei aqui enquanto escrevia. Tomei um banho de coragem e pouco a pouco fui me nutrindo para continuar a trilhar meu caminho. E essa coragem foi sendo fortalecida por um pensamento e sentimento de que eu merecia viver bem mesmo com tudo que estava acontecendo.

Tive que me des-culpar! E des-culpar o outro por tudo que estava acontecendo na minha vida.

Isso significa assumir responsabilidade pela própria vida e uma vez que essa chave gira, o nosso mundo também dá uma guinada, uma volta de 360º. Obviamente, não é tão simples dar passagem para si mesmo, validar autorização interna que diz: tudo bem se você errar. Que nem diz a Brené: Você está aqui para fazer o que é certo e não ser o certo.

Entendi que o preço que estava pagando para viver um mundo idealizado durante toda minha vida, estava caro demais. Não só caro como também doído e sufocante. E o pior, estava me afastando ainda mais de quem eu realmente sou e do que eu desejo para minha vida.

Assumi uma postura ousada diante da minha vida. Disse , SIM. Vou viver com tudo isso que me cabe, sem me comparar, sem subestimar meu potencial, sem me crucificar, sem me punir. Pelo contrário vou cuidar de mim e aceitar tudo de melhor que a vida puder oferecer sem medo, vergonha ou culpa de receber.

Abracei e agradeci, a tudo que fiz por mim.

Desejo daqui que essa chave, se ainda não girou em você, que ela abra a porta para o lado de cá, aonde vemos a vida como ela é: generosa, abundante e desafiadora.

Dani

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